DRAGON BLUES


06/06/2008


VOLTEI???!!!

TEM UMA COISA QUE EU ACHO

Não tente poesia para achar a verdade.

Se é a verdade – a grande verdade – que quer, leia filosofia e ciência,

com sorte – e se não chover – você encontrará alguma verdade – pode,

aliás, escolher a quer quiser - tanto faz, mas, se escolher poesia,

esteja preparado para abraçar um irmão que sofre como você,

porque é só um humano como você,

porque lhe dói o descaso das mulheres e/ou dos homens,

porque não construiu pirâmides e nem viu a Catedral de Colônia,

em toda sua imponência e história,

e, assim, será só pó – como a tal da catedral -

ou, com muita, boa, sorte – e se não chover –

rodapé dos livros de história.

Esteja preparado para abraçar alguém que não sabe nada de nadinha de nada

tanto quanto você, pois, se soubesse, seria cientista ou filósofo.

Abrace este seu irmão,

é o melhor jeito de morrer.

Porque se há algo que a poesia sabe

é que o humano é uma invenção do humano.

Porque somos só isso: em nós não há grandes novidades.

(por isso aquela famosa revista dedica só um quarto de meia página por ano,

enquanto dá duas páginas por semana para as novelas de tevê;

então, não deve ser importante mesmo: não há grandes notícias em nós).

Por isso é preciso jogar fora um monte de coisas e gentes

para que fermentem bem para que seu gosto melhore

como faziam os antigos romanos.

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 20h20
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VOLTEI!!!

AOS PÓSTEROS/PRÓCERES

posteridade é uma carcaça

fedorenta que ninguém enterra

bem debaixo dos tão famosos

sete palmos. Porque, se possível,

deveriam usar concreto e aço

e depois, por cima e com afinco,

colocar um piramidal granito.

Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 20h12
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12/04/2008


ESPAÇO-TEMPO BLUES #1

 

O que entrava tudo é o lugar, o momento.

Uma simples questão de espaço-tempo.

Uma leve curvatura da luz em Alpha Centauri e pimba!,

lá vamos nós para Vega ao invés de Saturno e, assim,

mais um final de semana perdido.

Eu e você, então, tivemos que mudar do nosso belo e profundo azul

para o verde comum de Vega (é assim que se procede por lá),

e ficamos (em mais um fim-de-semana)

sem o arco-íris dos anéís de Saturno.

(mas isso foi há treze milênios

e será só daqui a treze milênios

como está sendo agora)

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 12h43
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TRIÂNGULO

O triângulo: escrever, publicar, ser lido.

No Digestivo Cultural excelentes artigos de Julio Daio Borges aqui e aqui , "Publicar em papel? Pra quê?"  e  "Não existe pote de ouro no arco-íris do escritor", respectivamente; e este de Rubem Mauro Machado, aqui (excelente também), "A mídia e os escritores".

E, por fim, a pérola : "O inconfessável: escrever não é preciso", do professor Alcir Pécora.

(Pérola... Pécora... hmmm... alguma poesia "concreta" por aqui?

Boa leitura.

(Quer dizer, a leitura será "boa", mas, o resultado será "bom"?) 

Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 12h28
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03/04/2008


MAISDIAMAIS

1º DE ABRIL

Ei, irmão, fique esperto:

você não vai ser pego

pelo Instant Karma, não.

Vai ser a autocomiseração!

(neste mundo onde comunas

fazem ortodoxa economia

e reacionários capitalistas

louvam o Bolsa-Família,

é tudo que vai restar)

Ora pro nobis, meu irmão.

(Não por mim:

já tô morto, mesmo;

mas pelos filhotes:

não em quem,

mas como confiar?)

 

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 11h12
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31/03/2008


ACONTECEU!!

Amigos!
Meus bons amigos, todos vocês!
 
Alguma coisa aconteceu, vejam aqui: http://www.diversos-afins.blogspot.com/ (será preciso ir até o fim da pagina).
Sim, sou eu mesmo!
Quer dizer, aquele Gildo de que falam lá é este mesmo velho Gildo que vocês tão bem conhecem.
Não sei se essa "coisa que aconteceu" quer dizer muita coisa para o mundo, mas, para mim, significa muito, sim!
 
Tempo para uma piada (velha): se gostarem, digam aos amigos; se não, aos inimigos.
 
Assim, passem por lá e prestigiem a revista diversos afins (tem um bocado de coisas legais por lá).
E se quiserem contar a outros amigos vossos, fiquem à vontade: toda propaganda será bem-vinda e não será castigada.
 
Aqui: http://www.hebersales.blogspot.com/ , é a página do bom amigo Héber Sales (o terceiro a notar meu "vastíssimo" talento... e recomendar a publicação ao pessoal da revista). Prestigiem-no; se for de vosso gosto e tempo, é claro. (a primeira a perceber o "vastíssimo talento" - ironia, ironia... - foi a Aracelli Beliato: http://martinsbeliato.blog.uol.com.br e a ela todo o meu afeto; os segundos foram os anjos: http://www.anjosdeprata.com.br/  - tenho algumas coisas aqui: http://www.anjosdeprata.com.br/frameguia_autores.htm - e também a eles todos o meu afeto ).
 
Novos caminhos podem se abrir? Não sei.
 
Mas sei com certeza que isso tinha que ser feito antes que fosse (seja) tarde demais.
 
Bom dia, boa tarde, boa noite, boa semana, bom mês, bom ano, boa década, bom século, boa vida a todos!
Todos vocês, meus bons amigos, que me ajudaram - e suportaram - nos últimos dias, meses, anos e décadas.
 
Abraços.
 
 

Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 10h12
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19/03/2008


ATUALIDADES

A ERA DE AQUÁRIUS

 

Quando for trocar a água do aquário

- Dos peixes?

(Sim.

Neste momento estamos falando só desse aquário.)

Então, como dizia, cuidado quando for trocar

a água fedida dos aquário por água menos fedida.

Manuseie com cuidado, muito cuidado,

não se creia aquela grande coisa que nunca

comete erros: se o vidro do aquário virar

milhares de pedacinhos infinitesimais,

como numa parábola quântica,

seus escravos morrerão,

e vai dar um trabalho danado para

arranjar outros. Por isso, muito cuidado

ao conservar bem seus aquários.

Pois a marcha das idéias é impiedosa:

passa por cima mesmo.

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 16h43
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SÃO PAULO

CIDADE

 

São Paulo não é só o trânsito pesado

que aquelas bestas câmaras de tevê

adoram registrar e propagandear

 

Há uma magnífica seringueira na cruz

de Padre João Manuel e Alameda Franca.

Esta cidade tem jardins belíssimos

 

Um obelisco nos contrafortes do Ibirapuera

mas preferiria um lindo cipreste de mil anos,

uma sequóia, uma seringueira imponente

 

E há outras majestosas seringueiras

uma na Brasil, outra na Santo Amaro

e na Radial em jardins belíssimos

 

São Paulo nunca foi capital de todos,

nunca teve verbas para sua beleza.

São Paulo é capital só de si mesma

São Paulo é uma seringueira fortíssima

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 16h41
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12/03/2008


FAMÍLIA BLUES

FAMÍLIA BLUES #1

 

algumas mulheres fogem com seu amor

e se arrependem pelo resto da vida

algumas mulheres não

e se arrependem também

(conheci um monte delas na minha família)

 

uns homens acordam e fazem planos

e os destroem ao final do dia

alguns desses dias não

e os destroem também

(conheci um monte deles na minha família)

 

todo dia procurar um emprego

achar um e se arrepender

de ter (se verdade)

talento que não dá dinheiro.

(nem vou dizer quem é da minha família...)

 

todos os homens e mulheres que conheço

amam e planejam com afinco

mesmo apanhando

dos dias e das noites

(sei bem disso: também sou da família...)

 

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 17h20
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11/03/2008


MUNDO MODERNO

 

...POBRE LEITOR DO SÉCULO XXI...

 

um zilhão de gente fazendo poemas,

ensaios, artigos, contos, livros em geral

(todos – quase – muito bons, aliás)

 

tem um bocado de estrondo e de polêmica

todo mundo tem alguma coisa boa a dizer

(e um bocado de babaquaradas também)

 

e como a net é de graça e nunca foi anêmica

nestas arrogantes velocidades do moderno

(alguém aí sabe o que é o mundo moderno?)

 

um zilhão de gente fazendo gracinhas

e nem li ainda os clássicos todos

(tanto a fazer e o tempo tampouco dura)...

 

...pobre leitor do século vinte-e-um...

tantos nomes e tão pouco tempo

...pobre leitor do século vinte-e-um...

clássico de ontem é o antigo de hoje

...pobre leitor do século vinte-e-um...

o bom de hoje faz o velho de ontem

...pobre leitor do século vinte-e-um...

brancos, metros, rimados ou livres

...pobre leitor do século vinte-e-um...

amanhã será coisa já muito vista

...pobre leitor do século vinte-e-um...

tantos deveres tão poucos direitos

...pobre leitor do século vinte-e-um...

liberdade é uma morte bem vinda

...pobre leitor do século vinte-e-um...

tanto para ler tanto para saber

...pobre leitor do século vinte-e-um...

o certo na esquerda e na direita

...pobre leitor do século vinte-e-um...

o insentido advindo da maiêutica

...pobre leitor do século vinte-e-um...

haja grana para pagar tudo isso

...pobre leitor do século vinte-e-um...

não precisa se sentir atropelado

...é só o século vinte-e-um...

 

(mas, cuidado: o próximo pode ser ainda pior...

neste mundo tão pequeno e azul caberá tanta inteligência?

E olha que é só um planetinha azul de um sistema estelar

de quinta grandeza na periferia de uma pequena galáxia

nos baixios de um canto esquecido do Universo...)

 

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 15h41
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06/03/2008


Blogs e opiniões

Pessoal, eu... ("pessoal"? Que "pessoal", ô mané? Ninguém entra no teu blog, seu otário! Você é nada! Não sacou ainda?) 

Bem, como eu dizia antes do Superego me dar outra porrada (os comentários em azul)...

Pessoal, hoje mandei mais uma leva enorme de e-mails convidando um monte de gente prá me visitar aqui. Todo dia faço isso, aliás. Mas agora fiquei encasquetado com uma coisa: acho que estou repetindo os convites... Acho que tem gente que já recebeu dois, talvez três e-mails... Vão me achar um chato. (Tu é um chato!!! Por isso ninguém entra aqui!) Mais uma chibatada...

Mas não é chatice, não. É só que há tanto blog, tanta HP, tanto site "cultural", que acaba excedendo minha capacidade de organização. Então, se mandei convites demais, desculpa aí. É que estou usando o blog para a coisa que eu acho que mais tem serventia (talvez a única): propaganda de baixíssimo custo. Claro que, custo baixo pode significar retorno igual, mas até aí... não será nenhuma novidade. (sempre a mesma história, né, trouxa?!) A terceira pancada...

E cada vez mais convenço-me de que este é o caminho (pelo menos o meu). É só ver alguns depoimentos aqui , na coluna "opiniões sobre o mercado" tem texto de Paulo Polzonoff Jr., Affonso Romano de Sant'Anna, Furio Lonza e Luiz de Aquino. Vale a pena. (claro que vale, sua anta! eles já tão consagrados; você não consegue grana nem prá comprar a gilette pros pulsos!). Quarta agressão...

Esperem só um pouco, que já volto. Preciso dar um jeito nesse negócio dentro da minha cabeça. Dizem que é solúvel em álcool... vamos ver.

 

Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 17h17
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MINHAS AMIGAS...

MINHAS AMIGAS

vocês querem conversar,

que eu soletre rápido

(de preferência)

o sentido da vida

mas se lhes pedir para

tirar a roupa sou acusado

de lhes ver como objeto sexual

mas se para vocês eu sou

só um objeto intelectual,

quem é o monstro aqui?

 

duas mulheres tiram

a roupa no meio do mato

se preparando

para seu prazer meu de vê-las

vocês querem que eu

arranque-me de toda

a casca e mostre revele

o caroço imortal da beleza,

quem pede pornografia aqui?

 

Se eu disser que

não sei porra nenhuma

da merda do sentido

desta bosta de vida

(e que nem quero saber)

(e tenho raiva de quem sabe)

vocês saem porta afora,

quem está usando quem aqui?

 

só era bom enquanto desse

os grandes textos

ganhadores de elogios e notas

sim, eu sei disso, sei do lugar

que ocupo na ordem universal

sei que só há esta vida para ver

sua beleza sensacional

sim, eu sei

quem é o idiota aqui.

 

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 13h26
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LEMBRANÇAS

Ainda lembro-me dos meus avós, de ambos os lados, e das coisas que fizeram (as que vi fazerem e as que me disseram que faziam). Meus irmãos dizem que, por isso mesmo, eu deveria colocá-los no papel. Imortalizá-los (meus irmãos são um pouco ingênuos, acho; ou gostam demais de mim: eu mesmo não acho que possa tanto assim). Porque, logo, logo, com a morte caminhando célere como sempre, as minhas memórias, e as deles, também deixarão de existir.

Então, eu deveria, porque dizem que escrevo bem (eu acho que só escrevo com uma quantidade menor de erros do que os outros), preservar os feitos de meus antepassados. Bisavós, inclusive; que, aliás, não conheci; mas deles também não faltam histórias.

Meu avô materno foi carroceiro antes de entrar para o Banco do Brasil, um passo muito grande para homem tão simples. Minha avó materna era analfabeta, mas se tivesse se metido em política e fosse homem (claro, naquele época as mulheres não podiam tanto quanto hoje em dia) daria trabalho para Carlos Lacerda e Tancredo Neves, pois era uma raposa, percebia e sabia de tudo que estava acontecendo. Meu avô paterno, se tivesse vindo para São Paulo ao invés de uma pequena cidade do interior, acabaria dono de, no mínimo, um quarto da cidade, o homem sabia como negociar terras ("grilagem, isso sim", gritariam alguns, mas todo homem de sucesso tem de enfrentar estas maledicências, não é?). E minha avó paterna, se meu avô paterno tivesse vindo para São Paulo, seria conhecida como a melhor cozinheira italiana da cidade, mãos de ouro ela tinha.

Mas, quanto mais penso nisso, mais penso se adiantaria.

Dizem que Totônio Rodrigues, Tomásia e Rosa viverão para sempre pois Manuel Bandeira os colocou no "Evocação do Recife". Porém, Bandeira é cada vez menos lido e, quando isso acontece, é em livros sem notas de rodapé, ou de final de livro, que expliquem que Totônio era sobrinho de seu avô, Tomásia, a velha cozinheira, e Rosa, a dedicada ama-seca. Assim, para os poucos que ainda lêem tais nomes, eles são apenas figuras, substantivos, em um poema: há muito deixaram de ser gente. Até porque já faz tempo que não há mais amas-secas, cozinheiras e sobrinhos de avôs neste mundo de tanta velocidade. (Aliás, lembro-me de professora da 6ª série tentando nos explicar - nós, os garotos-problema da escola - esse poema. Mas como poderíamos entender - ou pelo menos tentar entender - o que é saudade se ainda estávamos na infância, a idade sem saudade?)

Pensando nisso, lembro também de Carlos Martel, Prefeito do Castelo de Paris e Duque dos Francos (o manda-chuva da época, naquela região), vencedor da Batalha de Poitiers em 732 D.C., batendo o exército muçulmano do emir Abdul Rahman Al Ghafiqi, governador da Andalusia (um manda-chuva também), e, segundo alguns historiadores, salvando o futuro da cristandade e, por conseguinte, da civilização européia ocidental. Mas, quantos morreram para que Carlos Martel e Abdul Al Ghafiqi tivessem seus nomes lembrados depois de tanto tempo?

Sim, quantos morreram, de ambos os lados?

Até hoje, ninguém sabe exatamente quanto sangue correu naquele dia. Ninguém sabe quanto desse sangue era de carroceiros, analfabetos, negociantes de terras e cozinheiros. Ninguém lembra seu nomes.

Meus antepassados não foram grandes guerreiros que derramaram muito sangue e conquistaram grandes poderes e títulos. Assim como Totônio Rodrigues, Tomásia e Rosa. As pessoas que lêem não se interessam por nós. Nós que fazemos tão pequenas coisinhas como apenas viver, por exemplo.

Acho que vou desapontar meus irmãos.

Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 13h22
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05/03/2008


falsidade

VEJAM SÓ:

Nova York, 5 mar (EFE) - O universo literário americano se deparou hoje com um novo caso de falsa autobiografia, depois que a irmã da autora denunciou a fraude.
O livro "Love and Consequences", escrito por Margaret B. Jones, foi lançado na semana passada e se apresentou como o testemunho vivo de uma jovem que sobreviveu em um bairro duro de Los Angeles, marcado pela presença de gangues organizadas e drogas.

Leia mais aqui

Vejam só, então, eu aqui há anos produzindo honesta ficção não tenho grana nem pro sanduíche e logo, logo, vou acabar debaixo da ponte (não é drama não, aproveitem o blog enquanto podem), e uma desonesta realidade consegue mais alcance que eu. É de chorar. É de dar tiro na cabeça de tanta raiva.

Na nota da Folha On-Line consta que o livro foi recolhido pela editora. A diretora diz-se "traída". Realmente, a sensação não deve ser nada boa. Mas duvido muito que, daqui a alguns meses, o livrão não esteja aí de novo nas lojas (com essa propaganda toda - deu no New York Times! - alguém acha que não vai vender e muito?).

Saco!!! Pro inferno comigo e com a minha honestidade!! Que me impede de roubar, fraudar, trair e matar. Pois até hoje só matei a minha prórpia vida, minhas próprias chances, ao tomar as mais erradas decisôes possíveis.

  

 


Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 15h14
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04/03/2008


mais um dia...

DIA # 2

Diante da morte

(dos próximos e dos distantes)

um homem se confunde e não sabe

se chora a vida em vão deles ou a sua.

 

Nós, os pequenos, aqui embaixo,

bem baixo na pirâmide social

o mundo todo a cada segundo

a morte vindo e levando tudo

 

Chorar meus mortos

E suas escolhas erradas

Meus mortos me olham severos

E as costas acusam esse peso

 

Se hoje choro é que colho

o plantado no terreno acre

de mim mesmo, o solo

isolado e sem embate

da vida que transformei

diligente e metódico

em grande nada de nada

Enquanto esperava e esperava...

 

Quando a mão forte da angústia me pega

eu fantasio que sou poeta

na meia idade do desemprego

e do olhar triste para o passado

 

Nós, os pequenos aqui embaixo

não vamos ao médico todo ano

mas sabemos que no fundo só

vivemos da esperança do amanhã

até que acabe no dia da morte.

 

Categoria: poesia
Escrito por Gildo Staquicini Jr. às 15h11
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JARDIM CIDALIA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Música, procurando emprego

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